A Primeira vez no Coletivo de Teatro: Quarto Criador, a dramaturgia aberta, a sessão 3 e as minhas: 5ª e 6ª personagens

Inicialmente, começo este texto com a minha trajetória no curso de teatro de dramaturgia aberta do Professor Márcio Menezes, este curso, neste ano de 2025, tomou um novo rumo: agora trata-se de um projeto coletivo intitulado de: Quarto Criador, desenvolvido por ele e por meus colegas, eu apenas, estou participando como aprendiz de Teatro, uma pseudo Atriz de dramaturgia aberta, com muitas aspas diga-se de passagem. 

A Sessão 03 foi realizada oficialmente no dia 5 de junho, diferente das outras sessões essa possuía um diferencial, isto porque pela primeira vez a peça de teatro foi assim, assistida como um coletivo de teatro. Assim, graças ao apoio do Instituto Janelas da Arte, dentro da amostra do Espaço Cultural Renato Russo. O cenário, um capítulo todo especial a parte, ficou incrível, e dessa vez vários colegas levaram os seus objetos pessoais para compor o cenário, eu levei a minha boneca, que eu ganhei em 1989, para que ela atuasse, no auge dos seus 36 anos como uma bebê reborn, mas sobre ela farei um dia um texto, somente, sobre ela. Abaixo, deixo o registro de nossa chamada para a amostra e do cenário e produção da peça, ressalto que como cheguei atrasada nessa montagem apenas levei as cadeiras para a participação do público. 


A V Amostra do Janelas da Arte. 
Eu no meinho...kkkk
Os nomes dos meu colegas na sequência de esquerda para a direita: Suzana, Klébia, Renata, Eu, Pietro, Lucca, Simone, Walquíria, Paiva e Kamila. 


O cenário ficou perfeito para a proposta do espetáculo, idealizado pela Simone, minha colega que faz parte do coletivo (ótima em cena), junto com o professor Márcio Menezes. Cada consultório tem uma identidade, própria das cenas que foram sendo desenvolvidas ao longo da peça,  que em conjunto com o jogo de luzes, transformou o ambiente em um verdadeiro instituto de saúde mental. 

Nesse cenário realizamos a nossa apresentação, cada um com dois personagens, ora revezávamos entre atuar como terapeutas e ora atuávamos como pacientes, a peça levava o público a participar, questionar e a dialogar com as personagens, como é de fato um espetáculo de dramaturgia aberta, e neste contexto manter a psique das personagens é mais importante que o gesto textual em si, para uma perfeita relação do jogo cênico entre ator e público, esta dramaturgia, conforme o meu entendimento, propõem uma interação entre estas partes.  

Neste sentido que passo a inserir, neste texto, o meu processo criativo para as minhas personagens, desta vez isso também foi um processo coletivo, isto porque desde o início até o final dos ensaios eu aceitei praticamente todas as sugestões possíveis dos meus colegas, muitas vezes tínhamos exercícios de composição aonde eles me dirigiam e vise versa, assim, surgiram as minhas personagens, lentamente fui abandonando a NOIVA da sessão 2 e a minha terapeuta desbocada para dar sentido e vida para: Nivea Felino e Sofrida. 

O primeiro processo de construção das minhas personagens, ideias e insights iniciais: 

1. Quando Nivea Felino era Tânia Sharon: 


Nessa fase eu tinha muitas ideias desencontradas sobre a personagem terapeuta, eu queria que ela fosse uma reptiliana, mutante, ou uma Therian que acreditava ser uma lagarta, eu estava extremamente inspirada em uma entrevista de podcast que uma senhora havia feito sobre o fato de fazer parte de uma seita que acredita nesta forma de existência, de ser e viver, nesta vida, enfim, eram ideias loucas e absurdas que se encaixariam no que eu queria desenvolver, ou seja, uma terapeuta não convencional e absurdamente fora dos padrões, contudo, fui verificando que a construção de Tânia me demandaria um longo laboratório, o simples necessitava de mais pesquisa e aprofundamento, tudo que eu não conseguiria encaixar no espaço de tempo entre ensaios, vida profissional, pessoal e apresentação. Logo foi surgindo uma segunda etapa do meu processo criativo. 

2. A Arte e a Loucura Liberta! Quando Sofrida começou a surgir: 

Ao longo desses processos eu fui aceitando as ideias dos meus colegas e do professor: Márcio Menezes, trabalhando muito o conceito de arte e loucura como potências de libertação das personagens, o que eu acredito que seja um dos sentidos da proposta do espetáculo de a Sessão 3, portanto, comecei a tecer um objetivo:  a construção da minha paciente. Esta personagem deveria ter como inspiração a pintora mexicana Frida Kahlo, suas obras e vida, proposta dada por Márcio, para a minha personagem, e eu aceitei de imediato porque simplesmente tenho profunda admiração por Frida! sou totalmente obcecada, mas eís que surge um questionamento: Como Frida e a minha personagem deveriam conversar? começa a terceira etapa deste processo criativo. 

3. Frida passar a dar Vida para à Sofrida: 

Aqui, nesta etapa, a personagem seria obcecada por Frida Kahlo, a ponto de dizer que seria ela, contudo, com o tempo a Sofrida demandava história própria demais, então aceitando uma sugestão de uma colega, já nos ensaios finais, que a minha personagem paciente se torna uma mãe de bebê reborn, mas era nada mais e nada menos que uma mulher que necessitava de alta de uma instituição que não existe mais: o extinto manicômio judiciário. Logo, com a desculpa de ter uma filha, uma boneca nada realista, ela passaria a ter a obtenção de sua prisão domiciliar e tratamento ambulatorial, mas tudo deveria passar pelo aval dos seus terapeutas. 

Nascia definitivamente a minha personagem, como referência de A Noiva, nesta, a personagem fora presa por provavelmente ter matado o noivo ao pegar ele com a sua madrinha do casamento de ambos, no dia  da cerimônia religiosa! 

Eu cheguei a cogitar chamar a paciente de Frau, mas a minha colega, Renata, já estava desenvolvendo uma personagem paciente de nome Clau, então, resolvi deixar como Sofrida. Surgia um quarto problema: Como compor os elementos dessa personagem?  E tendo como referência a pintora Frida Kahlo no figurino e no psicológico da personagem? Abaixo as composições da personagem paciente Sofrida. 


Na imagem acima a composição da personagem teria um desenvolvimento diferente, conforme o texto das anotações do meu processo criativo no caderno: 

A Paciente seria a atriz que tentaria ser Frida Kahlo, seria ela mesma? ideias, muitas ideias, ao mesmo tempo seria a terapeuta? esta ideia eu deixei em aberto para a minha própria composição, e ao final informo o porquê. Penso no meu eu que a minha paciente e terapeuta são na realidade uma mesma pessoa em um mesmo universo da Sessão 3. Ressalta-se uma anotação que traduz todo o meu processo criativo para esta apresentação: 

"Dessa vez o meu processo criativo será fluído pelo acaso, tendo em vista que as minhas ideias estão desencontradas, eu vou deixar fluir o que há em mim, me entregar à Arte, terapeuta ou paciente, vou ser espectadora de mim mesma e deixar a sessão 3 me levar" (08.05.2025). 

A relação do segundo scrapbook, entre referências da minha vida pessoal, tomar café com a minha Avó S2 é sagrado na minha vida! tem uma consolidação, a Sofrida surgia em definitivo e seria:

"paciente com transtorno de personalidade e tendências de esquizofrenia, agora, se denominava mãe de uma bebê reborn para a obtenção de um tratamento ambulatorial em prisão domiciliar que lhe possibilitasse uma libertação de um manicômio judiciário, após um longo período de privação da liberdade, pessoa de vulnerabilidade social extrema, agarrava-se a boneca como forma de informar: - Eu existo! Eu sou humana! eu posso amar! "

Ao final deixei como pseudo atriz, ou atriz iniciante e sem a DRT, um desabafo que passo adiante: 

" Eu sou uma mulher com muitas ideias, mas com pouco tempo para experenciar e viver todas elas"

"Estou experenciando um processo de ser guiado, no final não sei o que criei. Só quero pertencer" 

Acho que inventei palavras erradas na língua portuguesa, termos como "experenciando" rsrsrsrs...mas ok, vamos seguir, estava no meu caderno né, eu escrevi, sigamos. 

4. Personagens consolidadas e desenvolvidas agora, um novo desafio: Como dar vida para elas através de um figurino? 

As referências e a minha produção dessa vez contavam com um obstáculo financeiro $$$, não tive condições de inovar com um vestido, uma roupa idealizada, para as personagens, portanto, tive que utilizar uma saia indiana da minha tia Kátia, uma blusa que eu usei no ano novo de 2022 para 2023 e um arco que eu usei em alguns carnavais, além disso dessa vez a maquiagem teve de ser bem desenvolvida, acredito que fiz uma make interessante até, e eu tinha que trazer Frida Kahlo no meu corpo, no corpo de Nívea e Sofrida, a presença dela deveria estar em nós três na Sessão 3. 

Na sequência: 

4.1  A Imagem de Frida Kahlo ( retirada do google)  e a Nívea Fialho ( imagem realizada pelo fotografo Victor) , conexão e imagem: 




4.2  A Imagem da Obra, o abraço de amor de Frida Kahlo, da própria pintora de 1949 ( retirada do google)  e a Sofrida! ( imagem realizada pelo fotografo Victor) , conexão e imagem: 


4.3 As referências de pesquisa sobre o psicológico das personagens teve uma forte inspiração na Mostra de Cinema Antimanicomial Raquel França realizada pelo Cine Brasília nos dias 16, 17 e 18 de maio, assisti a vários trabalhos da amostra. Além disso realizei pesquisas em textos, blogs, séries e artigos sobre transtornos de personalidade e a vida atrás das grades, fiz novamente a leitura de livros, dos quais: Presos que Menstruam de Nana Queiroz e As Prisioneiras de Dráuzio Varela para a composição de Sofrida, a mesma base serviu para a construção de Nivea, a terapeuta, mas em outro sentido, aquela que tem o dom de escutar os seus pacientes. 

Abaixo, imagens ( da minha galeria de fotos) do banner da amostra e da sessão da amostra que eu fui: 




Novamente não obtive vídeos da minha apresentação, mas eles estão por aí, em algum lugar, não acho que fui bem dessa vez, mas fiquei feliz por essa oportunidade, não acredito que tenha sido um trabalho de humor, a carga dramática das personagens era muito forte, ao final foi realizada intervenções importantes, leitura de poemas, troca de figurino em um vestuário aberto ao público, sim, trocamos de figurino ali na frente do público, e outras curiosidades, como a imagem da minha boneca de infância que virou uma bebê reborn, deixo tudo logo abaixo, nas imagens que obtive, muitas do fotografo Victor: 

As camisas do Coletivo Teatral Quarto Criador ! Primeira vez que começamos com o desenvolvimento de um trabalho oficialmente como de teatro de fato. Considero um momento importante e muito marcante dentro deste projeto. 
Uma foto minha durante os ensaios, sem o figurino e a maquiagem das personagens, para dar uma biscoitada em mim mesma obviamente, estava ótima nesse dia. 


Minha Boneca de infância, sim, eu ganhei ela em fevereiro de 1989, ou seja, ela tem 36 anos, e precisei dela para a composição do meu trabalho de teatro, seu nome é Pop Pop, mas deu vida a Bebê Reborn Laura, este nome uma garotinha que assistia a peça quem deu, enfim, meu xodó, nem vem que é uma boneca reliqua ! 

Ao final o público e o coletivo reunidos para o fim da apresentação, neste momento foram feitas intervenções finais, uma fala de Pietro sobre a importância do trabalho da psicologia e demais áreas e a luta pela dignidade das pessoas em tratamento de saúde mental. 

VIVA A LOUCURA!

Sessão 3 Forever S2

FIM! 









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